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Pensamento baseado em risco

Todos os dias corremos riscos e de uma forma mais ou menos consciente todos os dias gerimos riscos. O risco é o efeito da incerteza e qualquer incerteza pode ter efeitos positivos ou negativos (NP EN ISO 9001:2015). No contexto atual, de mudança permanente, a incerteza adquire uma dimensão de grande importância e como não temos bolas de cristal para adivinhar o futuro, o melhor é mesmo estarmos atentos.

A norma 9001:2015 traz-nos o conceito de pensamento baseado em risco e considera-o determinante para obtermos melhores resultados e prevenir efeitos negativos.

Mas o que é o pensamento baseado em risco?

Cada decisão que tomamos tem riscos associados, cada atividade desenvolvida numa organização envolve riscos. O pensamento baseado em risco é considerarmos os riscos associados à incerteza em cada atividade, ou seja, identificarmos os riscos e as oportunidades em cada atividade, definirmos ações para os tratar e avaliar a eficácia dessas ações.

O pensamento baseado em risco pressupõe a gestão do risco e as normas NP ISO 31000 e 31010 podem ser uma boa ajuda. O processo de gestão do risco tem as seguintes fases:

processo

O estabelecimento do contexto é fundamental. Riscos e oportunidades podem ter origem no contexto externo ou no contexto interno e a forma como podemos gerir um risco depende muito da sua origem. É importante definirmos os parâmetros externos e internos a ter em consideração na gestão de um determinado risco ou oportunidade.

Outro fator fundamental é a nossa tolerância ao risco, ou seja, qual a magnitude/ probabilidade de ocorrência que estamos dispostos a aceitar, sendo que nesta avaliação podemos também incluir um fator de risco vs benefício.

Na fase de tratamento do risco definimos qual a atitude que pretendemos tomar face ao risco em causa, sendo que o podemos aceitar, transferir (caso dos seguros, por exemplo), mitigar, eliminar ou aumentar e define-se o plano de ação de acordo com a atitude pretendida.

É importante ter em conta que ao definirmos ações podemos estar a introduzir novos fatores de risco e que estes também deverão ser tidos em conta no processo.

Como em qualquer sistema de gestão, bom senso é palavra-chave. Os riscos numa organização são imensos e a sua gestão exaustiva pode ser o maior de todos. É fundamental identificar quais os processos chave e quais os riscos relevantes associados a esses processos. São estes os riscos que vamos gerir.

Pode optar por não gerir os riscos mas, assim, incrementa o risco de perder boas oportunidades e de não obter os resultados pretendidos. Uma Gestão do Risco eficaz traduz-se num aumento da probabilidade de sucesso no cumprimento dos objetivos, pois permite uma melhor identificação de oportunidades e ameaças e promove a proatividade em detrimento da reatividade.

Por Cristina Trovão

Fonte: Ponto TGA

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Gestão do Risco para a sustentabilidade do negócio

Num mundo em constante mudança abrem-se novas oportunidades para desenvolver e implementar estratégias de crescimento que potenciam o negócio mas, devido à dinâmica de mudança, algumas empresas enfrentam situações complexas que podem conduzir ao seu encerramento. Vejam-se os casos internacionais da empresa do setor elétrico ENROM e de um banco de referência no setor o Lehman Brothers. No nosso país, também temos os exemplos de BPP, do BPN, do BES, da PT e do Banif, só para referir os mais conhecidos. Na nossa zona basta olhar para o que aconteceu à indústria vidreira manual, que foi totalmente destruída, o que está a acontecer com a construção civil e com as respetivas indústrias de apoio (como as empresas de cerâmica de barro vermelho), só para referir alguns exemplos.

Na opinião de alguns especialistas estas situações devem-se às empresas aceitarem riscos excessivos e/ou terem falhas na gestão desses riscos. Parece ser então relevante ter em conta o risco.

O que é o risco? É a “combinação da probabilidade de um acontecimento e das suas consequências (ISO/IEC Guide 73). Isto é, um evento pode ter consequências negativas ou positivas na empresa, afetando o seu desempenho.

Alguns dos fatores que têm impacto nas empresas são externos outros são internos e ambos devem ser identificados e avaliados.

Qualquer empresa, para sobreviver, deve criar valor (que depois se repartirá pelas partes interessadas) mas, este potencial pode ser destruído por eventos desfavoráveis e não previstos. Interessa então preservar o valor, aproveitando as oportunidades mas também estar preparados para o risco e ter uma resposta que minimize perdas. Assegurar-se-á assim um desempenho equilibrado e sustentável.

Afinal o que é a gestão do risco? “É um processo contínuo, conduzido pela gestão de topo com envolvimento de diferentes colaboradores, no estabelecimento de estratégias, para identificar em toda a organização potenciais eventos, capazes de afetá-la, e gerir os riscos de modo a mantê-los compatível com a apetência ao risco da organização e possibilitar garantia razoável do cumprimento dos seus objetivos” (COSO).

O processo de gestão do risco faz-se em três passos: identificação do risco; gestão e decisão; e monitorização do risco, permitindo controlar o nível de risco e alcançar os objetivos pretendidos, garantindo-se a sustentabilidade do negócio.

Este processo cria uma estrutura que permite que a atividade se desenvolva de forma consistente e controlada. Identificam-se as seguintes vantagens deste processo de gestão do risco:

  • alinha a tolerância ao risco com a estratégia;
  • melhora as decisões na resposta ao risco;
  • melhora a proteção dos ativos e imagem da empresa;
  • potencia o desenvolvimento e apoio à base de conhecimentos e das pessoas;
  • otimiza a alocação do capital e dos recursos na empresa;
  • melhora a eficiência operacional.

A gestão do risco não é obrigatória! Mas a sobrevivência também não!

A escolha é sua.

Por Gabriel Silva

Fonte: Ponto TGA

 

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